O ataque às geladeiras voltou, em nove países, e já chegou a uma fábrica
Na madrugada de 1º para 2 de novembro, três semanas depois do ataque às redes francesas, supermercados de pelo menos nove países europeus relataram problemas nos sistemas de refrigeração: Suécia, Bélgica, Irlanda, Itália, Portugal, Finlândia, Estônia, Luxemburgo e Países Baixos. Na Bélgica, foram cerca de 40 lojas Delhaize, 15 Carrefour e 5 Spar. Na Irlanda, a atacadista Musgrave esvaziou os congelados de 13 lojas. Na Suécia, freezers chegaram a 50 °C. O método é o mesmo de outubro: os equipamentos são postos remotamente em modo de degelo até o alimento estragar. Na França, a ANSSI, a agência nacional de cibersegurança, já tinha apontado controladores de três fabricantes, Danfoss, Copeland e Dixell, muitos deles antigos e sem atualização de segurança. Na Itália, a agência nacional de cibersegurança recebeu a notificação de uma empresa de alimentação coletiva da Toscana e identificou, ainda sem notificação formal, um ataque a uma fabricante de congelados da Emília-Romanha. Christophe Hansen, comissário europeu de Agricultura, chamou os ataques de "uma tentativa deliberada de interromper a nossa cadeia de abastecimento alimentar". Ninguém assumiu a autoria.
Em outubro, era um problema de varejo francês. Agora são nove países, e o caso italiano mostra que a indústria também está na lista. Dois detalhes explicam por onde o atacante entra. A empresa de segurança Lupovis registrou, entre 20 e 30 de outubro, tentativas de acesso a controladores Danfoss com a senha que vem de fábrica. E a Forescout constatou que os próprios fornecedores pedem acesso pela internet para instalar e fazer manutenção. A porta foi aberta para o técnico, e ninguém lembrou de fechar. Câmara fria, túnel de congelamento, armazém refrigerado: no frigorífico, na indústria de laticínios e na distribuição, esses controladores costumam ficar fora do inventário de TI, porque são vistos como equipamento, não como sistema.
o que a Comissão Europeia decidir depois de levar o tema ao Security College, o colegiado de segurança dos comissários + algum caso fora da Europa + e uma pergunta para a manutenção, não só para a TI: quantos equipamentos de refrigeração da empresa podem ser acessados de fora hoje, por quem, e com qual senha?

