Hackers esquentaram as geladeiras de centenas de supermercados franceses a 50 °C. Ninguém roubou um dado
Na noite de 11 para 12 de outubro, atacantes tomaram o controle remoto dos sistemas de refrigeração de centenas de lojas na França, entre 250 e 350 segundo o BleepingComputer, de redes como Intermarché, Coopérative U, Carrefour, Monoprix e E.Leclerc. Eles não roubaram informação. Usaram os controladores da dinamarquesa Danfoss, que rodavam versões antigas do software, para acionar o degelo automático dos equipamentos e mantê-lo ligado. Algumas unidades chegaram a 50 °C, e houve princípio de incêndio. O alimento fresco e congelado foi descartado. O presidente do Intermarché falou à BFM TV em perdas de "dezenas de milhões de euros" num único dia, e uma só loja Leclerc, na Alsácia, jogou fora € 220 mil em produtos. As duas falhas que provavelmente foram exploradas eram conhecidas: a agência americana de cibersegurança (CISA) alertou sobre elas em maio e agosto de 2025. Na segunda-feira, um pesquisador encontrou 2.752 sistemas Danfoss expostos na internet, 1.590 deles na França. O governo francês disse que deixar a interface de gestão desses equipamentos acessível pela internet é "contrário às boas práticas", e a ANSSI, a agência de cibersegurança do país, investiga. Há relatos de lojas afetadas também na Espanha, em Portugal, na Polônia, na Alemanha e na Bélgica.
Quando se fala em ataque cibernético, a imagem é de dado sequestrado e servidor parado. Este foi diferente: o atacante mudou uma variável física, a temperatura, e o prejuízo apareceu na câmara fria, não no sistema. Frigorífico, cooperativa de laticínios, usina e indústria de suco operam com o mesmo tipo de equipamento: controladores de câmara fria, de caldeira, de balança, de moenda, muitos com acesso remoto para o fornecedor fazer manutenção. O Intermarché disse que o ataque teria atingido um prestador de serviço que gerencia a refrigeração das lojas. Ou seja: a porta não era da TI do supermercado, era do contrato de manutenção. E a falha estava publicada havia mais de um ano. O que derrubou centenas de lojas não foi uma técnica nova. Foi um equipamento que ninguém estava olhando.
a conclusão da ANSSI sobre como os atacantes entraram + se outros fabricantes de controladores industriais aparecem na investigação + e, dentro de casa, uma pergunta simples para a próxima reunião com a TI e a manutenção: quais equipamentos da planta respondem a alguém de fora, e quem tem a senha?


