A carne bovina perdeu dois mercados na mesma semana. O frango e o suíno ganharam portas.
O Brasil preencheu 100% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina para a China em 29 de setembro. Desde 1º de outubro, o que passar desse volume paga uma sobretaxa de 55%, que somada à tarifa normal de 12% chega a 67%. O governo brasileiro tentou usar o excedente da cota do Uruguai, e Pequim não aceitou. A Abiec (associação dos exportadores de carne bovina) projeta queda de 10% nas exportações totais do produto em 2026. Do lado europeu, em audiência no Parlamento Europeu em 28 de setembro, o responsável pelas auditorias sanitárias da União Europeia, Eric Thévenard, disse que a carne bovina brasileira não deve voltar ao bloco em menos de dois anos, porque a regra exige que o animal viva sob o novo protocolo de antimicrobianos do nascimento ao abate. No mesmo período, o resto da proteína andou na direção oposta. O comissário de Comércio europeu, Maroš Šefčovič, sinalizou a volta do frango e do mel, com decisão técnica prevista para 20 e 21 de outubro. A China habilitou quatro novas plantas em 29 de setembro (duas de bovinos e duas de aves) e, em 26 de setembro, Brasil e China assinaram a revisão do protocolo de miúdos suínos, que a ABPA estima em mais de 100 mil toneladas e US$ 100 milhões por ano. Na balança de setembro, até a quarta semana, a exportação de carne bovina caiu 23,3%.
Até aqui, falávamos de "proteína brasileira" como um bloco. A última semana mostrou que ela se separou em duas, e a linha que divide não é o preço, é o tempo que cada cadeia leva para provar o que precisa provar. Frango e suíno têm ciclo de semanas ou meses e são cadeias integradas, em que a indústria controla o animal do começo ao fim. Quando o comprador exige uma garantia nova, ela consegue entregar rápido. A carne bovina tem ciclo de dois anos e passa por várias fazendas, de donos diferentes, antes de chegar ao frigorífico. A China fechou por volume, a Europa fechou por prova, e as duas portas não reabrem antes do fim do ano. Para o frigorífico de bovinos, o quarto trimestre é de realocar volume para os EUA, para o mercado interno e para destinos menores. Para quem fornece insumo, embalagem ou tecnologia às duas cadeias, vale separar o planejamento: o cliente de aves e suínos está com a agenda de expansão aberta, e o de bovinos está gerenciando margem.
a decisão técnica europeia de 20 e 21 de outubro sobre frango e mel + o preço do boi gordo nas próximas semanas, com o excedente sem destino na China + se a China renova ou amplia a cota para 2027, que é o que define o primeiro semestre do frigorífico.

