AgroReview

§ AgroReview · Edição #34 · 28 de setembro de 2026

O recurso existe. Falta chegar.

“Não temos pouco tempo; é que perdemos muito.”

— Sêneca, Sobre a brevidade da vida, I (c. 49 d.C.)

Na última semana, três números diferentes contaram a mesma história.

O Plano Safra anunciou R$ 416 bilhões, e em dois meses R$ 52 bilhões chegaram ao produtor. A renegociação de dívidas rurais tem um teto de R$ 25,8 bilhões, e R$ 3,6 bilhões foram contratados. No transporte de safra, o frete subiu 20% num trimestre em que o volume caiu 22%, porque o que falta não é carga, é caminhão com motorista.

Em nenhum dos três casos o recurso falta. O que falha é o caminho entre o recurso e quem precisa dele. E, quando o gargalo muda de lugar, muda também a pergunta que um executivo precisa fazer na segunda-feira.

§ O que realmente importa

O Plano Safra anunciou R$ 416 bilhões. Em dois meses, chegaram R$ 52 bilhões.

O que aconteceu

Dados do Banco Central compilados pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) mostram que os produtores contrataram R$ 52,4 bilhões em crédito rural em julho e agosto, os dois primeiros meses da safra 2026/27. Isso é 12,6% dos R$ 416,3 bilhões anunciados para o ciclo (sem contar as CPRs) e o pior início das últimas cinco temporadas. No mesmo bimestre da safra passada foram R$ 71,2 bilhões, queda de 26,4%. O número de contratos caiu de 457,8 mil para 375,1 mil, e a área financiada ficou em 5,07 milhões de hectares, contra 14,2 milhões no início da safra 2023/24. Do outro lado da mesa, a renegociação de dívidas aberta pela Medida Provisória 1.376/2026 somava, em 23 de setembro, R$ 3,6 bilhões contratados em 28,7 mil operações, de um teto de R$ 25,8 bilhões. A taxa média ficou em 8,56% ao ano, com prazo médio de nove anos. A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, atribuiu o ritmo lento ao tempo que os bancos levaram para adaptar os sistemas e disse que o volume "vai crescer ao longo dos próximos 30 dias". A CNA relatou produtores esbarrando em burocracia nas agências. O prazo para contratar termina em 12 de novembro.

Por que isso importa

Na edição passada vimos que quase um quarto da carteira de crédito rural está em atraso, renegociação ou prorrogação. Os números desta semana mostram o outro lado dessa carteira: o dinheiro novo não está entrando, e a saída desenhada para a dívida velha também não. Vale separar as duas coisas, porque os motivos são diferentes. No Plano Safra, o recurso foi anunciado, mas o banco empresta olhando o risco, e com a carteira nesse estado ele empresta menos, pede mais garantia e demora mais. Na renegociação, o próprio governo diz que o problema foi operacional: o banco precisou adaptar o sistema para executar a regra. Uma política pode estar publicada há dois meses e não chegar a quem precisa porque o processo do balcão ainda não foi montado. Para quem dirige uma agroindústria, a consequência é concreta. O produtor que não conseguiu custeio no banco vai buscar em outro lugar, e esse lugar costuma ser a trading, a revenda ou a própria agroindústria, via barter. O risco de crédito que o banco recusou muda de balanço. Se a sua empresa adianta insumo contra entrega de safra, a sua carteira de fornecedores está virando uma carteira de crédito, e ela precisa ser analisada como tal: histórico de entrega, área, produtividade e o que já está dado em garantia a terceiros.

O que observar

os dados de setembro, que é o mês de maior contratação de custeio para a soja e mostram se a torneira voltou a abrir ou se o ano começou mesmo mais curto + se a renegociação acelera antes de 12 de novembro, como disse a ministra, ou se o prazo é prorrogado + se a parcela da safra financiada fora do banco (barter, CPR, fornecedor) cresce na mesma proporção que o crédito bancário cai.

O agro está fazendo o mesmo número de aquisições, por um terço do valor, e quem tem caixa está comprando na baixa

O que aconteceu

Levantamento da KPMG mostra que as fusões e aquisições no agronegócio brasileiro movimentaram R$ 2,98 bilhões no primeiro semestre de 2026, contra R$ 7,47 bilhões no mesmo período de 2025, queda de 60,1% em valor. O número de operações, porém, quase não mudou: 34, contra 35. O segundo trimestre mostra a direção. Foram 13 negócios (eram 21), mas o valor subiu de R$ 1 bilhão para R$ 1,9 bilhão. "Tem menos deals, mas deals maiores", resumiu Allan Riddell, sócio de M&A da KPMG. Ele descreve o quadro assim: preço de produto menor, custo maior, margem apertada e capital caro. Os segmentos mais pressionados são grãos e sucroenergético, onde a KPMG espera novas transações, junto com o aumento das recuperações judiciais. Proteína animal aparece como o segmento mais resistente.

Por que isso importa

Este item se lê junto com o anterior. Quando o crédito seca para a maioria, quem tem balanço forte passa a comprar ativos a preço de ocasião. É o que a KPMG está descrevendo: grupos grandes e capitalizados aproveitando valuations mais baixos, enquanto produtores e empresas menores ficam sem acesso a capital. Com menos negócios, mas maiores, o setor está se concentrando, e uma fatia maior da produção de grãos e de cana deve mudar de dono nos próximos trimestres. Existe um custo nisso que quase nunca entra no preço da aquisição: integrar o que foi comprado. Usina, armazém ou revenda adquirida chegam com o próprio ERP, o próprio cadastro de fornecedor, a própria balança e um jeito próprio de apurar custo. O valor da aquisição só aparece quando a operação comprada passa a responder às mesmas perguntas, com os mesmos números, que a compradora. Na edição passada falamos da consolidação que vem entre as agtechs. A mesma lógica vale para os clientes delas: se você fornece tecnologia para uma usina ou uma cerealista, vale perguntar hoje quem pode comprá-la nos próximos 18 meses e em qual sistema ela vai rodar depois.

O que observar

os números do terceiro trimestre, que dizem se a tendência de negócios maiores se confirma + as vendas de ativos de grupos em recuperação judicial no sucroenergético, que a KPMG aponta como o próximo foco + o primeiro grande negócio em que a integração de sistemas apareça como condição ou risco declarado da transação.

A soja está no maior preço desde 2023, o milho está ficando no país, e o plantio da nova safra depende de outubro

O que aconteceu

O indicador da soja CEPEA/Esalq (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da USP, referência de preço para commodities agrícolas) em Paranaguá (PR) passou de R$ 162 por saca no início da segunda quinzena de setembro, o maior patamar desde fevereiro de 2023. É o quinto mês seguido de alta, com o preço 16% acima do mesmo período de 2025. As exportações de soja somaram 92,79 milhões de toneladas até agosto, recorde para o período e 7,2% acima de 2025. Com o milho, o movimento foi o inverso: até a segunda semana de setembro, os embarques caíram 16,7% na comparação anual, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A explicação passa pela concorrência da Argentina e por uma demanda doméstica crescente, puxada pelo etanol de milho. Enquanto isso, o plantio da safra 2026/27 começou devagar. O Paraná tinha cerca de 2% semeado, com excesso de chuva, e Mato Grosso, 0,8%. A NOAA (a agência oceânica e atmosférica dos EUA) e o Inmet apontam 90% de chance de o El Niño chegar a intensidade muito forte nesta primavera, com menos chuva no Centro-Norte e mais no Sul. A maior parte da janela de plantio se concentra em outubro.

Por que isso importa

Depois de um ano inteiro falando de preço baixo, é a primeira boa notícia de receita em muito tempo, e ela vem com duas ressalvas. A primeira é de calendário: o preço alto chegou quando a safra velha já está quase toda vendida. Quem aproveita é quem guardou grão, e quem guardou grão é quem tinha caixa para esperar. A segunda ressalva é que a safra nova ainda não foi plantada. O preço de hoje remunera a soja que já foi colhida. A de 2026/27 depende de como a chuva se distribuir em outubro, num ano de El Niño forte e com um produtor que, como vimos, está plantando com menos crédito. O milho merece atenção à parte. Um grão com safra recorde que exporta menos porque está sendo consumido dentro do país é uma mudança de estrutura, não de conjuntura. Cada tonelada que vira etanol de milho no Centro-Oeste é matéria-prima de agroindústria, e não mais carga de porto. Para quem origina, armazena ou transporta milho, a referência de preço está deixando de ser só o porto e passando a incluir a usina vizinha.

O que observar

o ritmo de plantio nas duas primeiras semanas de outubro em Mato Grosso, Goiás e Paraná, onde a janela se define + se a soja sustenta o patamar quando a colheita americana ganhar volume + o fechamento das exportações de milho de setembro, para ver se a queda é pontual ou se o milho mudou de destino.

§ Radar de mercado

Brasil e EUA sentam frente a frente na quarta e na quinta

Os ministros Márcio Elias Rosa (MDIC) e Mauro Vieira (MRE) encontram Jamieson Greer (USTR) em 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, à margem da reunião de ministros de Comércio do G20. É a primeira rodada presencial depois da reunião virtual de 31 de agosto sobre as tarifas de 25% e 12,5% aplicadas em julho.

O Povo — Brasil e EUA voltarão a discutir tarifas em encontro do G20 ↗SpaceMoney — reunião Brasil-EUA sobre tarifaço começa em 30 de setembro ↗

A missão sanitária chinesa encerra a agenda hoje

A auditoria que começou em 20 de setembro em frigoríficos, laboratórios e propriedades rurais tem agenda prevista até 28 de setembro. A lista inclui 17 unidades das cadeias bovina, suína e de aves, e a aprovação depende das conclusões dos técnicos. O resultado (quais plantas serão habilitadas e se as suspensas voltam) é o que observar nas próximas semanas.

BeefPoint — missão da China para avaliar frigoríficos chega ao Brasil ↗

Café tem o melhor agosto da história e acelera em setembro

O Cecafé registrou 4,16 milhões de sacas exportadas em agosto, +31%, com receita de US$ 1,33 bilhão. As chuvas atrasaram a entrada do arábica da nova safra, que só chegou ao mercado em agosto. Na parcial de setembro, a média diária de embarques está 51,6% acima do ano passado. A StoneX estima a safra 2026/27 em 77,2 milhões de sacas, recorde.

Cecafé — exportação de café tem melhor agosto da história ↗CNN Brasil — exportação de café cresce 31% e tem melhor agosto da história ↗

ITR vence na quarta-feira

O prazo para declarar o Imposto Territorial Rural de 2026 termina em 30 de setembro. Vale checar com o jurídico e a contabilidade as áreas próprias e arrendadas do grupo.

Exclusivo News — produtor tem até quarta-feira para declarar ITR ↗

§ Mundo Tech

Google, OpenAI e Anthropic querem criar o próprio órgão fiscalizador, e o modelo é o do mercado financeiro

Na última semana, reportagem do The Information, repercutida pela imprensa especializada, mostrou que Google, OpenAI e Anthropic estão perto de criar uma organização comum para avaliar modelos de IA de fronteira. O nome provisório é Standards Authority for Frontier AI. O modelo declarado é a FINRA, a entidade que fiscaliza as corretoras americanas em nome do próprio setor, e não do governo.

Segundo as reportagens, a organização definiria padrões comuns de teste antes do lançamento de um modelo, rodaria avaliações próprias, avaliaria as salvaguardas que cada laboratório coloca em volta dos seus sistemas, receberia relatos de incidentes e certificaria auditores externos. O lançamento está previsto para o fim de 2026 ou o começo de 2027. Nomes como Sriram Krishnan, ex-assessor de IA da Casa Branca, Arati Prabhakar e Condoleezza Rice foram sondados para a liderança. A ideia foi proposta em julho por Demis Hassabis, do Google DeepMind. Microsoft, Meta e xAI não aparecem entre os membros.

É o desdobramento da semana de 12 de setembro, quando a Anthropic pediu publicamente que o setor desacelerasse junto e os concorrentes confirmaram que já conversavam sobre isso. Agora a conversa tem forma institucional.

Para quem lidera uma empresa usuária de IA, o ponto prático é outro: o fornecedor está se organizando para definir a régua pela qual ele mesmo vai ser medido. Isso pode ser bom, porque vai haver um padrão de teste comum onde hoje cada um publica o próprio benchmark. Mas autorregulação vale o que valer a independência de quem audita. Quando isso chegar ao seu processo de compra, a pergunta útil não vai ser "o modelo é certificado?". Vai ser "certificado por quem, pagando a quem, e testado em quê?".

A Microsoft colocou no Copilot um agente que trabalha sozinho, com identidade própria dentro da empresa

Em 25 de setembro, a Microsoft apresentou um Copilot reconstruído em três áreas: Home, Code e Autopilot. O Autopilot é a nova versão do agente que a empresa havia apresentado em junho com o nome de Scout. Ele funciona de forma contínua, sem que alguém precise dar um novo comando a cada tarefa: acompanha canais, segue conversas, executa trabalho recorrente e retoma projetos.

O detalhe de arquitetura é o que importa. O Autopilot roda dentro do ambiente Microsoft 365 da empresa com identidade, memória e espaço de trabalho próprios, aparece no Teams, no Outlook e nos documentos, e opera dentro das permissões, da auditoria e dos controles de governança do ambiente, em vez de contorná-los. Ele entra em private preview (teste fechado com clientes selecionados) no fim de setembro, sem preço público ainda. No mesmo anúncio, a Microsoft incluiu ferramentas para o usuário acompanhar quanto está gastando com IA, e a imprensa especializada relata que os recursos de agente passam a ser cobrados por uso, enquanto o chat continua na licença por usuário.

Duas edições atrás escrevemos que o agente não chegaria à empresa como projeto, mas na próxima atualização do software que ela já usa. É isso que está acontecendo. Na semana passada perguntamos se, depois de um erro de agente, o log mostraria o agente ou o nome de um funcionário. No desenho da Microsoft, o agente tem identidade própria, então a resposta técnica passa a existir. Falta a resposta de gestão: quem autoriza o que ele faz, quem responde pelo erro e quanto ele pode gastar.

Se a sua empresa roda Microsoft 365, vale colocar três perguntas na pauta da TI antes que o preview vire produto: quem pode criar um agente persistente, a que dados ele tem acesso e em qual centro de custo entra o consumo dele.

§ Sinal fraco

O preço do frete parou de seguir o diesel e passou a seguir o motorista

Por décadas, a regra para prever frete no Brasil foi olhar para o diesel. O combustível pesa, em média, cerca de 35% do custo de uma transportadora, e quando ele subia, o frete subia junto.

Essa regra mudou. O relatório trimestral Frete Insights, da Frete.com, com dados do segundo trimestre de 2026, mostra que o índice de preço do frete rodoviário subiu 20% em um ano, enquanto o volume de cargas caiu 22%. O diesel subiu cerca de 14% no período, o que não explica tudo. A conclusão do relatório: a disponibilidade de caminhões e motoristas passou a ser o principal fator na formação do preço, reduzindo o peso histórico do diesel.

O agro é o maior cliente dessa conta: 42,9% de todos os fretes registrados no trimestre. E os corredores da safra são onde a pressão aparece. De Nova Mutum (MT) a Imbituba (SC), o frete subiu 72,3%. De Campo Verde (MT) a Paranaguá (PR), 48,6%. No corredor Coromandel (MG)–Santos (SP), havia 6,96 cargas para cada caminhão disponível.

Do lado da oferta, uma pesquisa da NTC&Logística mostra que 88% das transportadoras têm dificuldade para contratar motorista, e que em muitas delas há, em média, oito caminhões parados no pátio por falta de quem dirija. A idade média dos motoristas passa dos 45 anos, os jovens não estão entrando na profissão e as mulheres são cerca de 4% dos habilitados. Pela primeira vez, o Brasil entrou no relatório global de escassez de motoristas da IRU, a organização internacional de transporte rodoviário.

Separado, isso é um problema de logística. Lido junto com o que a gente viu em agosto, na edição 29, é outra coisa. O agro perdeu trabalhador pela primeira vez em anos, e a automação deixou de ser eficiência para virar reposição de gente. O caminhão é o mesmo caso, com um agravante: o agro não é dono da maior parte dele. A escassez está no fornecedor do fornecedor.

A consequência para quem dirige uma agroindústria é uma mudança na pergunta de gestão. Quando o recurso escasso é o caminhão com motorista, e não o combustível, a alavanca deixa de ser negociar preço e passa a ser aproveitar melhor a capacidade que já existe. Tempo parado na fila da balança, veículo voltando vazio, rota mal planejada e janela de descarga mal distribuída não aparecem na nota do frete, mas são horas de caminhão e de motorista que o mercado está cobrando cada vez mais caro. Numa safra de grãos que a Conab projeta em 366,6 milhões de toneladas, a próxima conversa sobre frota própria versus terceirizada vai ser menos sobre custo por quilômetro e mais sobre quem garante que o caminhão vai estar lá.

Para quem vende tecnologia ao agro, o recado é que o dado da frota muda de categoria. Ele deixa de ser controle de custo e passa a ser medida de capacidade: quanto do caminhão que você tem está de fato rodando carga.

§ Gatua Partners em Foco

Webtrac

Nove em cada dez já compraram a telemetria. A pergunta agora é outra

Equipe da Webtrac no estande do Gatua Meeting Campo Inteligente

No Campo Inteligente, em 18 de setembro, apresentamos uma pesquisa feita com 57 profissionais de 31 agroindústrias de cana e citros. Um número apareceu logo no começo: 51 dos 57 já têm telemetria de máquinas na operação. São nove em cada dez.

O número seguinte pesou mais. Só 8 dos 57 levam esse dado do campo até uma decisão, ou seja, até um alerta ou uma recomendação que a operação realmente usa. O sensor já foi comprado. O que falta é o caminho entre o que ele registra e quem precisa decidir.

A Webtrac, Gatua Partner, esteve com a gente no Campo Inteligente. A empresa trabalha há mais de 18 anos com telemetria, rastreamento e monitoramento de veículos, com clientes que vão do agronegócio a alimentos e bebidas, construção e transporte. Além de mostrar onde o veículo está, a proposta inclui relatórios automatizados, um aplicativo para acompanhar a operação e a integração dos dados com a gestão.

Para quem quer organizar esse caminho na própria frota, a Webtrac preparou o Guia da Gestão Inteligente de Frotas, gratuito.

Baixar o guia

A Webtrac é Gatua Partner, uma das empresas de tecnologia do nosso ecossistema que colocam conteúdo, gente e estrutura em cada entrega da Gatua ao longo do ano. Quando um Partner tem algo relevante para quem lê esta newsletter, ele aparece aqui. É assim que o ecossistema funciona nos dois sentidos.

§ Gatua Context

Onde o dado do campo para

Esta edição falou de recurso que existe e não chega: crédito anunciado, renegociação aberta, caminhão parado no pátio. No Campo Inteligente, em 18 de setembro, a gente mediu a mesma distância dentro da operação, com o dado.

O começo e o fim dessa medição apareceram logo acima, no Partner em Foco. O que decide está nos degraus do meio. A pesquisa foi respondida antes do evento e apresentada ao vivo, no palco, para a própria sala, e cada degrau conta só quem passou pelo anterior:

  • 57 na base
  • 34 recebem o dado do campo em tempo real ou no mesmo dia
  • 16 recebem sem que alguém precise digitar
  • 11 dão nota 4 ou 5 para a integração entre campo e gestão
  • 8 chegam ao fim: o dado vira alerta ou recomendação na operação

O degrau que mais derruba quem chega nele é o mais banal de todos: alguém digitando.

Chamamos essa medida de Ciclo Fechado do Dado. Hoje ela vale 14 em 100. É a primeira medição. Não é atraso. É distância. No ano que vem perguntamos de novo, às mesmas empresas, com as mesmas perguntas, e é assim que nasce o Panorama Gatua.

Próximo encontro: 12 de novembro, 1ª edição do Gatua Meeting Indústria Inteligente, no Dabi Business Park, em Ribeirão Preto. A pergunta muda de endereço, do campo para a planta: onde o dado da planta para, antes de virar decisão? É também o dia em que lançamos o Panorama Gatua.

A pesquisa pré-evento já está aberta. Quem é do agro e responde entra sem pagar, e o resultado só é revelado ao vivo, no palco. Se você é de uma empresa de tecnologia, a pesquisa não é para você: a proporção entre quem opera e quem fornece é o que faz a sala valer para os dois lados. Para quem vende ao agro existe o ingresso Tech, na página do evento.

Conhecer o Indústria Inteligente e responder a pesquisa

Três lugares diferentes, o mesmo defeito.

O crédito foi anunciado e não chegou ao produtor. A renegociação foi publicada e esperou o banco adaptar o sistema. O caminhão existe e está parado no pátio por falta de quem dirija. E, entre os profissionais de agroindústria que responderam à nossa pesquisa, nove em cada dez têm o sensor, mas o dado só vira decisão em oito de 57.

Em nenhum dos casos faltou o recurso. O que faltou foi o caminho até quem precisa dele.

Sêneca escreveu, há quase dois mil anos, que não temos pouco tempo, mas perdemos muito. Ele falava da vida, não de gestão. Mas o raciocínio serve: quase nunca o problema é o tamanho do que temos. É quanto se perde no trajeto. E o trajeto, ao contrário do tamanho, depende de quem dirige a operação.

Bruno BarrosCEO, Gatua

§ Comece de leve

Ainda decidindo? Receba a AgroReview.

A curadoria que 2.000+ executivos do agro leem toda segunda. Sem custo, sem spam — e sem fornecedor influenciando a pauta.

Receba a AgroReview

A curadoria que 2.000+ executivos do agro leem toda segunda. De graça, sem spam.

Ver todas as edições