A União Europeia suspende a carne, o frango, o pescado e o mel do Brasil nesta quinta-feira
A partir de 3 de setembro, o Brasil sai da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia. A medida vem do Regulamento (UE) 2023/905, que passa a valer integralmente nessa data e proíbe a importação de produtos vindos de sistemas que usem determinados antimicrobianos — sobretudo os reservados ao tratamento humano e os usados como promotores de crescimento. 92 países apresentaram as garantias exigidas e foram aprovados, incluindo Argentina, Uruguai e Paraguai. O Brasil foi o único citado por não ter entregue, no prazo, as informações que comprovam o controle. Os produtos atingidos somaram US$ 2,026 bilhões em vendas à UE em 2025 — US$ 1,064 bilhão em carne bovina e US$ 781,4 milhões em frango. A Abiec (associação das indústrias exportadoras de carne bovina) estima perda de US$ 504 milhões (R$ 2,6 bilhões) até o fim de 2026, e acima de US$ 1 bilhão se a suspensão atravessar 2027. No primeiro semestre deste ano, a carne bovina brasileira embarcada para a UE tinha crescido 19%, para 51,2 mil toneladas. A ABPA (associação da proteína animal) avalia que o mercado de frango não deve se desequilibrar com a interrupção. E há um detalhe que muda a leitura: uma auditoria europeia feita em agosto em aves e mel, no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, não questionou o uso de substância proibida — questionou a capacidade do serviço veterinário oficial de demonstrar como fiscaliza as prescrições veterinárias dentro das granjas. O Mapa prestou esclarecimentos e trabalha com a expectativa de retorno à pré-lista já a partir de 3 de setembro.
Guarde uma frase desta notícia, porque ela vale mais do que o número: o Brasil não foi barrado por usar antimicrobiano. Foi barrado por não ter conseguido provar como fiscaliza. A auditoria de agosto deixou isso explícito — o que faltou não foi controle, foi a demonstração organizada do controle. Isso muda a natureza do problema. Um problema de prática se resolve mudando o que se faz no campo, e leva anos. Um problema de documentação se resolve mudando como se registra, e leva meses. O segundo é mais barato — mas só se alguém tratar registro como sistema, e não como papel que se junta quando o auditor avisa que vem. Para quem lidera um frigorífico, uma granja ou uma cooperativa, a consequência prática é direta. A pergunta que a Europa fez ao governo brasileiro é a mesma que o seu comprador vai fazer a você: mostre o histórico de prescrição veterinária, por lote, com data e responsável técnico. Quem tem isso em sistema responde em dias. Quem tem em ficha de papel no galpão responde em semanas — e semanas é tempo demais quando o certificado sanitário depende disso. Vale também guardar a proporção, porque ela evita pânico: os US$ 2 bilhões da UE representam uma fração das exportações brasileiras de proteína animal, que vão para mais de 150 países. O problema não é o tamanho da perda. É que a mesma exigência já apareceu no crédito rural com o gate ambiental por satélite, já apareceu no EUDR com a rastreabilidade de origem, e agora aparece na sanidade animal. É o mesmo pedido, chegando por portas diferentes: prove.
se o Brasil volta à pré-lista europeia logo após 3 de setembro, como o Mapa espera — é o teste real da velocidade de resposta documental do país + se os importadores europeus passam a pedir o histórico de prescrição direto ao frigorífico, e não só ao governo + o comportamento do preço do frango e da carne no mercado interno nas duas primeiras semanas de setembro, que é onde o volume redirecionado aparece primeiro.


