UE retira o Brasil da lista de exportação de proteínas animais — 3 de setembro é a data-limite
Em 5 de junho de 2026, a Comissão Europeia publicou no Diário Oficial da UE a Regulação (UE) 2026/1189, retirando o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco a partir de 3 de setembro de 2026 — em 74 dias. As seis categorias afetadas: bovinos, equinos, aves, aquicultura, mel e tripas. O valor em risco: US$ 1,8 bilhão em exportações anuais. O motivo não é a detecção de substâncias proibidas em amostras: é a incapacidade do Brasil de demonstrar à Comissão Europeia que suas cadeias produtivas controlam o uso de antimicrobianos de acordo com a política One Health — que proíbe o uso de antibióticos para estimular crescimento animal e veda o uso de medicamentos reservados à medicina humana em animais. O Brasil publicou portarias no Ministério da Agricultura em abril proibindo algumas dessas práticas, mas a Comissão avaliou que as garantias apresentadas foram insuficientes. O governo pediu um regime de transição: rastrear antimicrobianos nos 9 meses anteriores ao abate imediatamente, com rastreamento de ciclo completo até 2029. A UE não respondeu até esta edição.
O veto europeu é, acima de tudo, um problema de dados. O Brasil tem o Sisbov (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos) — que rastreia para onde cada animal foi e de onde veio. O que não existe é um sistema nacional de registro de medicamentos veterinários integrado ao Sisbov: a UE quer saber o que foi usado, quanto e por quanto tempo em cada animal ao longo de toda a cadeia. São 235 milhões de cabeças de bovinos no Brasil. Para as grandes proteínas: a JBS tem exposição estimada em cerca de 1% da receita consolidada e já está redirecionando produção para unidades na Austrália e EUA; a Marfrig/BRF é a mais vulnerável, com exposição de cerca de 2,5% da receita — sem plantas alternativas de aves fora do Brasil para absorver o redirecionamento. Produção de aves e bovinos destinada à Europa já está sendo roteada para unidades na Argentina e Uruguai, que permaneceram na lista europeia.
resposta formal da UE ao pedido de transição + impacto no resultado do 2T26 de Marfrig e BRF (previsão: agosto) + se algum frigorífico anuncia investimento em sistema de rastreio veterinário + posição do governo após retorno do G7.

