Petrobras reativa fábricas de ureia: a resposta doméstica à dependência de importação começa a tomar forma
Em 14 de maio, o presidente Lula visitou a Fafen-BA (Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia), em Camaçari, reativada em janeiro de 2026 com investimento de R$ 100 milhões. A planta produz 1.300 toneladas diárias de ureia — cerca de 5% da demanda nacional. Com Fafen-BA, Fafen-SE (Sergipe) e ANSA (Araucária Nitrogenados S.A., no Paraná) operando, a Petrobras projeta cobrir 20% do mercado interno de ureia. A entrada da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas/MS — ainda em obras — levaria esse número a aproximadamente 35%.
O Brasil importa 80% dos fertilizantes que consome — o maior ponto de vulnerabilidade logística e de custo da cadeia agroindustrial. Cada vez que uma rota de importação é pressionada — conflito em rota marítima, restrição de exportação da China, variação cambial abrupta — o impacto chega direto no custo por hectare dos produtores e, por consequência, na margem de quem integra essa cadeia. A retomada das fábricas da Petrobras não resolve o problema agora, mas é o primeiro movimento concreto em anos para mudar uma dependência que todos conhecem e ninguém havia encaminhado. Para Diretores de Suprimentos de agroindústrias que compram insumos ou integram cadeias com produtores: o fertilizante doméstico vai ganhar peso gradual no mix de compras.
O prazo de entrada em operação da UFN-III em Três Lagoas/MS — essa unidade é a que muda o quadro em escala real. E o diferencial de preço entre ureia doméstica e importada após as primeiras vendas em volume.