Agrishow 2026 encerra com R$ 11,4 bilhões — primeira queda em 11 anos, mas o padrão de exigência mudou
A Agrishow 2026 encerrou na sexta-feira, 1º de maio, com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios — queda de 22% em relação a 2025. É a primeira retração nas vendas da feira em mais de uma década. O público ficou estável em 197 mil visitantes. As causas apontadas pelo setor: juros altos, inadimplência ainda elevada e preços de commodities abaixo do esperado. No campo tecnológico, os lançamentos confirmaram a consolidação da IA embarcada: a Solinftec apresentou o Alice IA Multiagente, que executa decisões no campo sem intervenção humana; a HURAL apresentou o Hural Rover, pulverizador elétrico totalmente autônomo; e a Bosch estimou que IA pode reduzir em até 62% o uso de defensivos ao identificar pragas em tempo real.
A queda de 22% não é sinal de desinteresse em tecnologia — é sinal de triage financeira. O produtor foi à feira, avaliou com cuidado, e comprou o que entregava retorno mensurável no ciclo. As empresas que relataram metas atingidas foram as que chegaram com proposta clara de ROI (retorno sobre investimento), não com demonstração. O padrão de exigência mudou: não basta mostrar que a tecnologia funciona — é preciso demonstrar quanto e quando. Para empresas de tecnologia que vendem para o agro: quem estava preparado para essa conversa fechou negócio. Quem dependia do ambiente de euforia da feira anterior vai reavaliar.
Os primeiros LOIs (letters of intent — cartas de intenção de compra) assinados durante a feira que viram contrato efetivo até o fim de maio — eles vão revelar quais tecnologias superaram o corte de critério do produtor.