Renegociação de dívidas rurais: R$81,6 bilhões na mesa, prazo encerra na quinta-feira
Na quinta-feira (23/04), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou ao Senado uma contraproposta ao projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pela Câmara. A proposta envolve R$81,6 bilhões em crédito rural elegível — dos quais R$44,2 bilhões estão inadimplentes, incluindo quase R$37 bilhões de grandes produtores. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou R$7,5 bilhões para bancar parte das operações, e o Banco do Brasil prorrogou o prazo do Desenrola Rural — seu programa de renegociação — até 30 de abril, com descontos de até 90% nas dívidas. O total de dívidas em recuperação extrajudicial no agro chegou a R$98 bilhões em 2026 — pico histórico da série.
Não é só uma crise de liquidez — é a evidência de que as margens do campo estão comprimidas de forma estrutural. Custos de insumos elevados, commodities abaixo do esperado e juros que não cederam produziram um estoque de dívida que nenhum refinanciamento resolve sozinho sem ajuste nas condições de operação. Para bancos, cooperativas de crédito, tradings com recebíveis rurais e empresas de gestão financeira no agro: a decisão que não pode esperar é a que muitos ainda estão postergando.
Se o Senado aceita a contraproposta da Fazenda ou retorna com exigências adicionais — e como os bancos privados se posicionam diante de uma estrutura que depende de recursos de depósitos à vista.