Tarifas Trump: US$ 12 bi/ano em risco e a reconfiguração forçada do destino das exportações
Trump assinou em 2/abril decreto de tarifas recíprocas: 25% sobre soja e proteínas brasileiras, 30% sobre carne bovina, 45% sobre suco de laranja concentrado — afetando pauta de US$ 38 bi em exportações. CNA estima perda imediata de US$ 12 bi/ano. JBS, Marfrig e Minerva (78% das exportações de carne ao mercado americano) paralisaram novos pedidos. Itamaraty manifestou "profunda preocupação" sem definir retaliação. Analistas trabalham com três cenários: negociação rápida (20%), retaliação calibrada (35%) ou absorção com redirecionamento de fluxos (45%).
O cenário mais provável — redirecionamento de fluxos — não é um alívio: é uma corrida. Os mercados que vão absorver o volume deslocado dos EUA (UE, China, Sudeste Asiático, Oriente Médio) vão privilegiar quem já tem certificação, rastreabilidade e contrato em andamento. Frigoríficos, esmagadoras e tradings que estão com exposição concentrada nos EUA precisam reavaliar contratos em aberto e calcular exposição cambial esta semana — não no próximo comitê de risco. Para quem financia produtores (cooperativas, fornecedores de insumos), é hora de rodar novo stress test de crédito.
A resposta do Itamaraty até o fim de abril, a primeira rodada de negociação técnica e os primeiros movimentos de reprecificação em contratos de hedge cambial pelas grandes tradings.