Raízen: rebaixada para CCC pelas três grandes agências — maior crise do setor em décadas
A Fitch, S&P Global e Moody's rebaixaram os ratings da Raízen para nível especulativo profundo (CCC) — a Fitch chegou a cortar duas vezes no mesmo dia. A empresa, que encerrou o último balanço com prejuízo de R$ 15,65 bilhões e dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, negocia um pacote bilionário com Shell, Cosan e BTG. Dois planos estão na mesa: (a) capitalização de ~R$ 5 bi pela Shell sem cisão da empresa; (b) cisão em dois negócios separados — energia e distribuição — com aporte de ~R$ 10 bi e entrada do BTG. O que é "grau especulativo" (CCC)? É a classificação dada pelas agências de rating quando consideram que uma empresa tem alta probabilidade de não honrar suas dívidas. Empresas nessa faixa têm acesso muito mais caro (ou nenhum) ao mercado de capitais.
A Raízen é co-líder em etanol de cana e distribuidora de combustíveis em escala nacional. Sua instabilidade afeta fornecedores, parceiros e a confiança do mercado no setor sucroenergético como um todo. Para usinas, fornecedores de tecnologia e gestores de risco: monitorar o desfecho desta reestruturação é obrigação, não opção.
Resultado das negociações com credores e bondholders (detentores de títulos de dívida) nas próximas semanas. Se a cisão avançar, dois grandes compradores distintos de tecnologia e serviços surgem no lugar de um.
